quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


“Nunca ninguém disse que ele era um grande cachorro. Ele era tão selvagem quanto uma banshee irlandesa e tão forte quanto um touro. Ele atravessava a vida alegremente com um gosto mais frequentemente associado aos desastres naturais. Ele foi o único cão que conheci que foi expulso da escola de adestramento. Marley mastigava almofadas, destruía telas, babava e revirava latas de lixo. Quanto à sua mente, vamos apenas dizer que ele perseguiu seu rabo até o dia em que morreu, aparentemente convencido de que estava a ponto de realizar um grande feito canino.
Uma pessoa pode aprender muito com um cão, mesmo com um cão maluco como o nosso. Marley me ensinou a viver cada dia com alegria e exuberância desenfreadas, aproveitar cada momento e seguir o que diz o coração. Ele me ensinou a apreciar coisas simples – um passeio pelo bosque, uma neve recém caída, uma soneca sob o sol de inverno. E enquanto envelhecia e adoecia, ensinou-me a manter o otimismo diante da adversidade. Principalmente, ele me ensinou sobre a amizade e o altruísmo, e acima de tudo, sobre lealdade incondicional.”
Era um conceito interessante que só então, após a morte dele, eu compreendia inteiramente. Marley como mentor. Como professor e exemplo. Seria possível que um cachorro – qualquer cachorro, mas principalmente um incontrolável e maluco como o nosso – pudesse mostrar aos seres humanos o que realmente importava na vida? Eu acreditava que sim. Lealdade. Coragem. Devoção. Simplicidade. Alegria. E também as coisas que não tinham importância. Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não.
Descobri que tudo estava bem à nossa frente, se apenas pudéssemos ver. Às vezes, era preciso um cachorro com mau hálito, péssimos modos e intenções puras para nos ajudar a ver.

Trecho retirado do livro "Marley e eu"

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Devemos misturar e alternar a solidão e a comunicação. Aquela nos incutirá o desejo do convívio social, esta, o desejo de nós mesmos; e uma será o remédio da outra: a solidão curará nossa aversão à multidão, a multidão, nosso tédio à solidão.

Sêneca, Sobre a tranquilidade da alma.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tive minha primeira experiência de como as pessoas são corruptas no país: fiz minha prova de direção.

Eram 7 horas da manhã quando saí de casa, e no caminho o próprio instrutor já fez a pergunta para os alunos sobre quem compraria a carta. Nenhum de nós tinha pagado, e nenhum de nós passou.

Eu não fiquei exatamente brava por ter reprovado, cometi erros. Mas tenho a certeza de que alguns deles não teriam acontecido se a pessoa que estava aplicando o exame fosse ao menos educada comigo. Ao primeiro erro que eu cometi ele já afirmou que eu deveria saber dirigir direito, e após isso falou de algo que eu supostamente estava fazendo de forma incorreta, mas que eu não estava. Até onde eu saiba o dever de um examinador – como o próprio nome diz – é examinar, e não gritar com o examinado e deixá-lo mais nervoso.

Além disso, acho até engraçado ver o detran colocando cada vez mais aulas para quem está tirando a habilitação com o argumento de que assim haverão menos pessoas inconsequentes no trânsito, uma vez que ele mesmo é o responsável por isso. Ele sabe que há suborno, sabe que quem não suborna dificilmente passa, e não faz nada para que algo mude.

Aos poucos estou descobrindo o que é ser brasileira: Entrar na onda da corrupção e fazer vista grossa sobre ela. Me recuso a pagar 400 reais pra ter uma chance de tirar a carta, e o que me deixa mais decepcionada é saber que muitos dos que reclamam que o país está uma merda são os mesmos que dão corda para que fatos como esse aconteçam.



·         Embora tenha feito esse texto tentando ser educada e racional, minha vontade de mandar as pessoas corruptas do detran irem tomar no cu ainda é grande,  então, recado dado.

domingo, 25 de setembro de 2011

Mais respeito no Rock in Rio, por favor.

Ontem fui postar um comentário no meu facebook sobre a falta de respeito do público com algumas bandas, o que para mim é a única coisa que estraga o evento. Vaiaram no dia 23 a Claudia Leitte e vaiaram ontem o Nx Zero. Com tantas atrações que a cidade do rock tem eu fico me perguntando porque é tão mais legal desprezar o trabalho de alguém ao invés de aproveitar o RIR. Quem comprou o ingresso SABIA quem tocaria no festival, o mínimo que eles DEVERIAM ter feito era calarem a boca.
Enfim, coloquei o comentário e algumas pessoas falaram que é Rock in Lixo, que não toca rock de verdade e etc. Sério mesmo que tem gente que se importa com um nome?! O Rock in Rio tocou rock em edições onde a maioria dessas pessoas que estavam e estão reclamando nem nascidas eram. Além do mais, se fizessem um evento REALMENTE só de rock, duvido que venderia tantos ingressos quanto vendeu.
Querem reclamar que o país não tem um evento para quem é roqueiro, reclamem. Mas não usem isso como justificativa para a falta de respeito com o “ganha pão” dos outros. E vão escutar rock né, porque a maioria desses que tão reclamando nem roqueiros são

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A comunicação muda

O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.

Clarice Lispector

domingo, 14 de agosto de 2011

Acabei de ver que o projeto de lei sobre o dia do orgulho hétero foi vetado. Para os paulistas, um alívio. Nós, hetero ou homossexuais não queremos um projeto de lei homofóbico e inútil como esse.

Só espero que o governo tenha algo a fazer para evitar que aconteçam casos de agressão como esse:


Fonte da foto: terra.com.br

Héteroimpunidade


Notícias como “Grupo usou lâmpadas para atacar jovem na Paulista”, e ”Pai e filho são agredidos ao serem confundidos com gays no interior de SP” são cada vez mais comuns em todo o país. E ao estarem cada vez mais na mídia, fica a discussão sobre o grau de homofobia que atinge a sociedade.
O que está em todos os noticiários hoje é a implantação do dia do orgulho hétero em São Paulo. Foi comum ver em redes sociais, como o twitter, pessoas se manifestando a favor desse dia, afirmando que se homossexuais têm seu dia os héteros também devem ter. Mas a questão é para que cada um desses dias foi criado. Se um foi para lutar contra o preconceito que ainda é existente em um país que se diz liberal, o outro foi criado apenas para satisfazer as vontades de um grupo de pessoas que se preocupa mais em mostrar sua opção sexual - como se precisasse disso para prová-la – do que em realmente fazer algo de justo para o país. E enquanto questões como essa são discutidas, mais pessoas vão sendo agredidas e seus agressores saem impunes.
Hipocrisia é o que não falta. Agressores argumentam que Deus criou o homem e a mulher para ficarem juntos, e que o homossexualismo vai contra essa regra. É até irônico ler isso, pessoas que ferem outras gratuitamente se referindo à religiosidade para justificar seus atos de crueldade, seja ela física ou verbal. A questão é que, se Deus existe, cabe a ele julgar o que é certo ou errado e não à pessoas que se julgam divinas.
Enfim, enquanto houverem pessoas que ajudam os preconceituosos a afirmarem seus argumentos e enquanto elas se preocuparem com questões praticamente inúteis para a população, como o projeto de lei citado, dificilmente a homofobia diminuirá em grande proporção. De fato, o que diminuiria os casos de extrema maldade que vem acontecendo no país seria uma justiça que funcionasse realmente para todos que precisam dela, e não somente para alguns que possuem condições financeiras de obtê-la.